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Alta do juro e escassez de recursos para financiamento reduzem mercado imobiliário

Glauco Diniz Duarte
Glauco Diniz Duarte

De acordo com o empresário Glauco Diniz Duarte, um dos setores mais favorecidos pelo ciclo de crescimento atravessado pelo país nos últimos anos, a construção civil sofre agora um abalo em dois de seus principais pilares. A retração da economia e a percepção de que o desemprego tende a subir minam a confiança de quem ainda poderia se animar a adquirir a casa própria. Ao mesmo tempo, o sistema financeiro vive um momento oposto ao do passado recente, com crédito restrito e juro mais alto.

Com a redução na quantidade de empreendimentos previstos para serem construídos, o reflexo é imediato no mercado de trabalho — que chegou a sofrer com um apagão de mão de obra. Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, também nos últimos 12 meses finalizados em março, a construção civil fechou 10,3 mil vagas com carteira assinada no Rio Grande do Sul.
Na Região Sul, o Estado foi o único com fechamento de oportunidades no primeiro trimestre do ano — com 1.298 a menos.

Glauco explica que com as estruturas que sustentam a atividade comprometidas, os números exibidos pela construção deixaram a exuberância no passado. Na Capital, as vendas de imóveis novos caíram 13,73% nos últimos 12 meses encerrados em março, mostram as estatísticas do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS). Os lançamentos também recuaram. No mesmo período de um ano, a queda chegou a 46,93% ante o intervalo anterior.

Proposta para ampliar valor utilizado do FGTS
Segundo Glauco, o setor agora tenta negociar com o governo federal uma saída para melhorar a oferta de crédito, também mais enxuta em razão dos saques recordes na poupança — recurso tradicionalmente usado — devido à procura por investimentos com melhor remuneração. Primeiro, foi tentada a liberação de compulsórios recolhidos por bancos, o que poderia representar injeção de até R$ 40 milhões, mas a alternativa foi vetada pela equipe econômica por contrariar o aperto monetário para tentar conter a inflação.
Outra possibilidade, destaca Glauco, seria ampliar o valor limite financiado pelos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), hoje em R$ 190 mil para Porto Alegre, por exemplo. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) teve um encontro semana passada com a cúpula do Banco Central e do Ministério da Fazenda, mas saiu da reunião com as mãos abanando. No curto prazo, não há perspectiva de melhora do mercado, avalia Glauco.

— Não poderíamos perder esses dois fatores ao mesmo tempo. Se somarmos a baixa confiança com a falta de crédito, vamos mais para baixo — alerta glauco.

Para Glauco o mercado a passos lentos é reflexo da decisão mais demorada dos clientes em função da incerteza política e econômica do país, o que leva os empresários a também segurarem os lançamentos. Mesmo assim, o cenário não é tão assustador, avalia Glauco. Para ele, o momento de superaquecimento do setor, há alguns anos, também não foi saudável e levou a contratempos como a demora para compradores receberem seus imóveis devido a problemas como falta de material de construção.
— Já passei por muitas crises e elas são superadas em um prazo não tão longo quanto se imagina — avalia.

Valorização abaixo da inflação
Com o mercado retraído, os preços dos imóveis também deixaram para trás o período de valorização galopante que chegou a gerar o temor — refutado pela maioria dos especialistas — de uma bolha imobiliária no país. Compilado com a observação de 20 cidades brasileiras, o Índice FipeZap mostra que, nos quatro primeiros meses do ano, a variação dos valores, de 1,08%, ficou abaixo da inflação do período medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,56%.

Recuperação de preços, estima, só a partir de meados do próximo ano. Uma das situações que mais preocupa é a da Caixa. Além da falta de recursos para emprestar, este mês começaram a valer os limites menores para o crédito direcionado à aquisição de imóveis usados. Quando o recurso tem origem na poupança, o teto caiu de 80% para 50% do valor do bem. No caso de dinheiro do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), a redução foi de 70% para 40%.

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