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GLAUCO DINIZ DUARTE – Construção de prédios altos em João Pessoa é marco na história da cidade

“Rompendo o gabarito das casas térreas e de dois pavimentos, surgem os prédios de quatro e seis pavimentos”. É assim que o começo da “verticalização” de João Pessoa, que completa 433 anos neste domingo (5), é explicado pela mestre em Arquitetura e Urbanismo, Carolina Chaves.

Por serem construções inusitadas para o fim da década de 1950, os prédios altos na capital paraibana causaram estranheza e resistência na população, o que não impediu que a verticalização, iniciada no Centro, chegasse até a praia.

Esse processo foi estimulado pela construção de Brasília e apresentou a proposta de residência em apartamentos, até então pouco conhecida na cidade. Além disso, presenteou os primeiros moradores desses locais com pontos de vista até então desconhecidos.

Para Carolina Chaves, edifícios como o Presidente João Pessoa (18 Andares), o Caricé, a atual sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Manoel Pires, localizados no Centro, e o Borborema e João Marques de Almeida, situados na praia, são marcos desse processo.

Hoje professora assistente na Universidade Federal de Sergipe, Carolina Chaves apresentou, em 2008, esse levantamento sobre prédios construídos na capital entre 1958 e 1975 como seu trabalho de conclusão da graduação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A pesquisa foi intitulada de “João Pessoa: verticalização, progresso e modernidade”.

Edifício Presidente João Pessoa (18 Andares)

O prédio começou a ser construído em 1958 e, de acordo com o trabalho de Carolina Chaves, embora a data de finalização não seja clara, a obra foi entregue, provavelmente, em 1962. Ana Lúcia Barros, de 62 anos, definiu a adolescência no Edifício Presidente João Pessoa como os melhores anos da vida dela.

“Minha tia morou aqui [no 18 Andares], passei minha adolescência nesse prédio, então, quando houve a oportunidade, voltei para morar aqui, porque é um ambiente muito agradável. É um prédio antigo, claro, mas tem uma estrutura que não existe mais hoje em dia, apesar de algumas restrições”, disse.

Por ter sido o primeiro arranha-céu da cidade, ficou conhecido pela quantidade de andares que tem, 18. O projeto atendeu a um programa residencial e institucional para funcionários do Banco do Brasil, foi elaborado pelo arquiteto carioca Ulysses Burlamarqui e construído em um terreno doado pelo Governo do Estado.

Entretanto, a obra enfrentou a resistência dos primeiros moradores, especialmente por ter sido construído em um terreno íngrime, conforme indicado por Carolina Chaves. “Era o ineditismo da construção, a estranheza da implantação e a pouca afeição a esses novos hábitos de morar em apartamentos, o morar moderno”, aponta no trabalho.

Para Ana Lúcia Barros, que mora há seis anos no “18 Andares”, mesmo com as limitações físicas do edifício, como a ausência de garagens, o local em que ele foi construído traz um dos melhores benefícios.

“Temos uma estrutura aqui que é simples, mas que é reconfortante porque temos o espaço físico do apartamento e essa vista maravilhosa que Deus deu, que compensa tudo. Esse prédio tem uma vista natural que é definitiva, ninguém constrói nada na frente dele”, comentou.

Segundo a moradora, por conta da visão proporcionada pela parte cima do edifício, atualmente o apartamento da cobertura do prédio é utilizado apenas para administração do condomínio.

Já em relação ao estilo de vida, a aposentada contou que as mudanças são nítidas. “Todas as pessoas que moravam aqui eram praticamente uma família só, tinham famílias de três, quatro, cinco filhos. Tinha uma família aqui que tinha 12. Isso aqui era uma festa, nos espaços comuns, onde a gente promovia os encontros, os ‘assustados’, as festas. Então havia um compartilhamento”, pontuou.

Para ela, o prédio ainda é uma referência. “Todo esse entorno foi modificado em função do comércio, pouquíssimas residências existem hoje aqui. Mas a essência do prédio, em si, não morreu”, destacou.

Ao relembrar a adolescência, Ana Lúcia narrou que a vida no Centro acontecia ao redor do prédio. “Toda a nossa vida era aqui. As missas, as procissões, os colégios, as festas, as festinhas na casa de cada um”, declarou.

De acordo com ela, nessa época, as residências da praia eram utilizadas somente durante o verão. “Porque praia era para pescador, toda a infraestrutura de lá não existia”, afirmou.

Verticalização no litoral

Descendo a avenida Epitácio Pessoa, o processo de verticalização chegou até a orla. No levantamento feito por Carolina Chaves, ela indica que entre 1958 e 1975, no Centro da cidade, foram construídos 11 prédios altos e projetados cinco, enquanto que no litoral foram construídos apenas quatro edifícios altos.

“A ocupação rarefeita do litoral é evidente, o que reforça a ideia de uma ‘verticalização artificial’ dessa área”, disse no trabalho.

De acordo com a mestre em arquitetura e urbanismo, em um primeiro momento a construção de prédios na praia surge para acolher pessoas que desejavam passar o verão na cidade.

Entretanto, segundo o doutor em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo e professor adjunto da Universidade Federal de Campina Grande, Fúlvio Teixeira, no final da década de 1960, foi levantado um debate sobre o litoral como um local adequado ou não para a construção de prédios.

O professor explicou que publicações feitas em jornais da época tratavam os edifícios altos na orla como pontos de conflito entre a natureza e as construções. Nesses artigos, também era cobrada a criação de uma regulamentação para as obras na região, buscando preservar aspectos como a ventilação da cidade.

Em meio a essa discussão, em 1970, o então governador da Paraíba, João Agripino, após receber a sugestão de um arquiteto, criou uma emenda para regulamentar, na Constituição, a ocupação da orla.

Essa lei passou por mudanças até assumir a forma atual, que determina a altura máxima de 12,9 m de altura – com três andares e pilotis – para prédios construídos em uma faixa de 500 metros, partindo da orla para o interior da cidade.

Apesar dessa limitação no litoral, a verticalização de João Pessoa continuou a se expandir pelo espaço urbano, chegando ao ciclo mais recente de ocupação, no bairro Altiplano.

O ápice da verticalização

De acordo com o dados do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), que mapeia e registra os prédios mais altos da Tera, a capital paraibana tem, atualmente, entre as obras que já foram completadas, o 2º prédio mais alto do Nordeste, o residencial Alfredo Volpi.

No entanto, a capital também se destaca no ranking geral do país, com o projeto “Tour Geneve”, que ainda não foi concluído, mas que, segundo a CBTUH, deve ser o 9º prédio mais alto do país – com 182,3 m e 51 andares – ficando atrás apenas de empreendimentos em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e Goiânia, em Goiás.

Entre as obras finalizadas, o Edifício Rio Mamoré, localizado no bairro Miramar, se destaca, sendo, atualmente, o 2º mais alto de João Pessoa, com 136,8 m e 42 andares. Para Margareth Andrade Luna Freire, de 60 anos, moradora do prédio, o local tem muitos pontos positivos, mas o estilo de convivência foi modificado.

 “Cada um tem uma individualidade, mas tenho algumas amizades. Quando eu encontro alguém no elevador eu cumprimento a todos, mas cada um na sua, a modernidade faz isso. São 42 andares, então tem pessoas que às vezes a gente nem vê, aí quando eu vejo no elevador pergunto pro meu menino ‘essas pessoas moram aqui?’”, contou.

Apesar disso, ela afirmou que a maioria dos moradores costuma se encontrar em confraternizações realizadas em datas comemorativas, especialmente no Natal e no ano novo.

Entretanto, para Margareth, assim como para Ana Lúcia Barros – moradora do “18 Andares”, no Centro da cidade – a vista de cima do prédio é um dos melhores benefícios que esse modo verticalizado de morar apresentou para ela.

“Agradeço todos os dias, quando eu abro a janela e vejo o mar, aquela vista. Parece que o mar está vindo na minha direção, do lado da minha cozinha dá para ver o pôr do sol, que é uma coisa belíssima, parece que está entrando dentro do meu apartamento, é lindo”, pontuou.

De acordo com o professor da UFCG Fúlvio Teixeira a verticalização da capital paraibana é recente, quando comparada a outras capitais do país como Rio de Janeiro e São Paulo.

Sendo assim, ainda deve ser discutida em diversos aspectos, com a tendência de que avance pela capital, tendo no Centro, porém, uma referência, um ponto de vista para observar e contar a história e a arquitetura da cidade: o 18º andar do primeiro arranha-céu de João Pessoa.

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